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Revolvimento da areia da praia afasta risco de doenças

13/03/2017

Serviço da Sanepar retirou cerca de 15 toneladas de resíduos por dia durante o verão

Resultados de análises das areias das praias onde a Sanepar presta o serviço de higienização comprovam a eficiência dessa atividade na eliminação de microorganismos que causam doenças como diarreias, gastroenterites, alergias na pele, parasitoses e viroses. A farmacêutica bioquímica do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Sumaia Andraus, responsável pelas análises, afirma que o serviço de revolvimento é essencial para a melhoria da qualidade da areia. “Sem o revolvimento, os microorganismos que ficam na parte de baixo da areia têm condições ideais, como temperatura, umidade e nutrientes, para sobreviver e se proliferarem. Esse é um método inteligente, barato e sustentável para garantir a saúde de quem vai a praia, já que o contato direto com a areia é muito comum quando as pessoas andam descalças, sentam e deitam na areia, as crianças brincam e constroem castelos”, explica.

No Litoral do Paraná, o serviço de revolvimento da areia é realizado à noite, a partir das 20h30, em mais de 60 quilômetros nas praias de nos municípios de Guaratuba, Matinhos e Pontal do Paraná. Seis máquinas saneadoras de areia, movidas com o uso de tratores, foram utilizadas durante o verão para peneirar e aerar as areias secas. “Esses são processos fundamentais para a higienização porque expõem ao sol os microorganismos que causam doenças. Os raios solares, mesmo em dias nublados ou com chuvas, conseguem eliminar esses microorganismos”, explica Sumaia. Também são retirados, nessa atividade das máquinas saneadoras, os resíduos de menor tamanho, como cacos de vidro, pregos, objetos cortantes, bitucas de cigarro e tampinhas de garrafa.

Nesta temporada, a Sanepar prestou o serviço de revolvimento da areia desde 21 de dezembro. O trabalho de limpeza da areia foi completado com a catação manual de resíduos, que funcionou durante o dia, das 10 às 19 horas. Quase 100 trabalhadores, a maioria moradores do Litoral, atuaram na coleta de resíduos e no revolvimento da areia. Até 5 de março, a Sanepar retirou das areias mais de 1.160 toneladas de resíduos, com uma média de 15 toneladas ao dia.

PESQUISA – Sumaia realiza a pesquisa sobre a eficiência do trabalho das máquinas saneadoras desde 2005, quando fazia mestrado. “Há 35 anos, pesquiso balneabilidade, mas as análises eram da água do mar. A escolha das areias como tema de estudo deve-se ao fato de não ter encontrado trabalhos de pesquisa finalizados sobre a qualidade das areias das praias no Paraná”, explica. Os resultados de todos esses anos comprovam a importância da manutenção da atividade das saneadoras. “O revolvimento é tão eficiente que em alguns pontos chega a zerar a contaminação. Na areia seca, os patogênicos podem permanecer durante o ano inteiro se não há revolvimento. Na areia úmida e na areia do mar isso não ocorre, mas a seca não melhora sem esse trabalho”, diz.

Os estudos envolvem análise microbiológica para determinar a presença de escherichia colli e esterococos. O primeiro ocorre quando há fezes de humanos e animais de sangue quente na areia; no segundo, a predominância é fezes de humanos. “São dois excelentes indicadores de contaminações. Por isso, os utilizamos”, explica Sumaia. Neste ano, a pesquisa será ampliada para incluir análises de parasitas e cistos, numa parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Paraná, sob coordenação do professor Diego Leal, e com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A farmacêutica já apresentou os resultados das pesquisas sobre qualidade das areias após o revolvimento em eventos na Alemanha, Austrália, Canadá, Dinamarca, França e Suécia. A próxima apresentação será na Espanha, em julho.

O diretor de Meio Ambiente da Sanepar, Glauco Requião, explica que a higienização das areias é um trabalho importante, mas que é fundamental a educação ambiental da população. “A conscientização da população sobre seu papel no cuidado com os resíduos é fundamental. Ter o hábito de recolher o lixo que produzir e dar o destino correto a ele, em qualquer lugar, em qualquer situação, é uma das maneiras mais eficientes de garantir sua saúde e de cuidar do meio ambiente”, disse.

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