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A aeronave percorreu da Captação de Água da Sanepar, em Maringá, até a nascente do rio, no município de Apucarana

Força-tarefa realiza sobrevoo no Rio Pirapó e afluentes

16/01/2014

Nesta terça-feira, 21, grupo concede entrevista coletiva sobre microalgas que afetaram as características da água bruta captada

O helicóptero contratado pela Sanepar realizou na tarde de sexta-feira (17) dois sobrevoos no Rio Pirapó. A aeronave percorreu da Captação de Água da Sanepar, em Maringá, até a nascente do rio, no município de Apucarana, retornando a Maringá. Também foram vistoriados diversos afluentes do Pirapó. No total, foram percorridos mais de 200 km em quatro horas de voo. A ação contou com a participação de técnicos da Sanepar e representantes da Defesa Civil Estadual e da Polícia Ambiental.

Todo o percurso e suas margens foram filmados. As imagens foram analisadas pelos integrantes da força-tarefa - constituída na quinta-feira (16) - para planejamento das ações que desenvolverão por terra e pelo rio, nos próximos dias.

Nesta terça-feira (21), os integrantes da Força-Tarefa concederão entrevista coletiva na Sanepar, em Maringá. Participam da entrevista técnicos da Sanepar e representantes da Polícia Ambiental, do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e demais órgãos (Defesa Civil Estadual e Municipal, Corpo de Bombeiros, e Secretaria Estadual de Meio Ambiente).

FORÇA-TAREFA - Uma força-tarefa composta por técnicos da Sanepar e representantes da Defesa Civil Estadual e Municipal, Polícia Ambiental, Corpo de Bombeiros, Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Secretaria Estadual de Meio Ambiente foi criada para identificar a origem das microalgas Oscillatoriales presentes no Rio Pirapó, principal manancial de abastecimento público de Maringá. A reunião para formação do grupo e definição do plano de ação foi encerrada há pouco, na quinta-feira (16), na sede da empresa, em Maringá. As microalgas provocam odor e sabor que podem ser percebidos pelos clientes, embora não representem riscos à saúde humana.

O objetivo do trabalho conjunto é fiscalizar, mapear e analisar a água do Rio Pirapó e seus afluentes. “Iremos percorrer o Rio desde a sua nascente, em Apucarana, até o ponto de captação, localizado em Maringá. Vamos coletar amostras de água no Pirapó e córregos que deságuam no manancial. Com isto será possível localizar o ponto de origem das microalgas”, explicou o gerente regional da Sanepar, Valteir Galdino da Nobrega.

Assim que as condições climáticas permitirem o helicóptero locado pela Sanepar irá sobrevoar o rio e suas margens. Todo o voo será filmado e as imagens analisadas pelos integrantes da força-tarefa. Outras duas equipes farão, posteriormente, o percurso de barco, coletando amostras e também registrando imagens.

MEDIDAS EMERGENCIAIS - Enquanto espera os resultados das análises laboratoriais das amostras que ainda serão coletadas, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) não mede esforços para amenizar as consequências da presença das algas no manancial. Desde esta quinta-feira está aplicando carvão ativado diretamente na Captação de Água do Rio Pirapó. O produto elimina o gosto da água que nesta semana voltou a ser percebido pelos clientes.

“Agora estamos aplicando o carvão ativado diretamente na água bruta, ou seja, antes do tratamento. Dessa maneira, o carvão permanece mais tempo em contato com as microalgas, eliminando o odor”, explica o gerente. Ele ressalta que a Sanepar garante a qualidade e potabilidade da água distribuída aos maringaenses. “A água que distribuímos é absolutamente segura”, enfatiza Nóbrega.

ENTENDA O CASO DAS MICROALGAS – Para abastecer a população de Maringá, a Sanepar capta água de duas fontes distintas: do Rio Pirapó, responsável pelo atendimento de 85% dos moradores; e dos poços tubulares profundos, que fornecem para os outros 15%. A água do Pirapó é captada na estação instalada nas margens do Rio e percorre 12 quilômetros de tubulação – em aproximadamente duas horas –, até chegar à Estação de Tratamento de Água (ETA) Maringá, na Zona 7 da cidade.

Desde o dia 23 de dezembro, quando registrou a presença de microalgas do tipo Oscillatoriales no Rio Pirapó, a Sanepar alterou o tratamento da água. Foi cancelada a pré-cloração (o cloro mata as microalgas, mas ao terem suas moléculas rompidas exalam odor e deixam a água com gosto de barro) e passou a aplicar carvão ativado, que elimina o gosto da água.

A Portaria 2914 do Ministério da Saúde recomenda cuidados especiais quando for detectada a presença de 20 mil células por mililitro (células/ml) de microalgas. No Rio Pirapó, no auge do problema (dia 27 de dezembro), foram registradas 10,8 mil microalgas por mililitro de água. Na sequência, caiu para 5,3 mil, e sucessivamente foi diminuindo. No dia 10 de janeiro o índice estava inferior a 400 células/ml.

No final de semana (11 e 12 de janeiro), quando os técnicos da Sanepar retomaram o tratamento convencional, ou seja, com a pré-cloração as microalgas que permaneceram na estação de tratamento e que chegam do Rio Pirapó voltaram a exalar o odor. Os químicos da companhia, na terça-feira (14), decidiram retornar o tratamento sem a pré-cloração e, a partir desta quinta-feira (16), adicionar o carvão ativado na água bruta, na entrada da Captação do Rio Pirapó. Dessa maneira, o carvão tem mais tempo em contato com as microalgas.

COMO É FEITO O TRATAMENTO TRADICIONAL - Quando entra na Estação, a água, primeiramente, passa pelos processos de pré-cloração e de coagulação. A adição de coagulantes faz com que as impurezas se juntem, formando flocos. Como os flocos são mais pesados do que a água, acabam parando no fundo dos tanques de tratamento, processo conhecido como decantação. A água passa, então, por filtros onde elementos como areia, carvão antracito, pedregulhos e rochas maiores formam camadas filtrantes que dão continuidade ao processo de purificação. Depois, a água recebe o cloro e o flúor. O cloro garante a desinfecção e a potabilidade da água até chegar às casas. O flúor é importante para a saúde dos dentes e redução dos casos de cárie dentária. Dentro da ETA e na rede de distribuição, a Sanepar realiza as análises exigidas pela Portaria para garantir que a água que chega às torneiras dos maringaenses esteja de acordo com as normas internacionais determinadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e as regras nacionais do Ministério da Saúde (Portaria 2914/2011).

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  • A aeronave percorreu da Captação de Água da Sanepar, em Maringá, até a nascente do rio, no município de Apucarana
  • A ação contou com a participação de técnicos da Sanepar e representantes da Defesa Civil Estadual e da Polícia Ambiental
  • Todo o percurso e suas margens foram filmados; as imagens serão analisadas pelos integrantes da força-tarefa
  • A força-tarefa é composta por técnicos da Sanepar, Defesa Civil, IAP, Sema, Polícia Ambiental e Corpo de Bombeiros
  • A reunião para formação do grupo e definição do plano de ação foi realizada nesta quinta-feira (16), em Maringá
  • As microalgas provocam odor e sabor que podem ser percebidos pelos clientes, embora não representem riscos à saúde humana